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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.
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CAPÍTULO XV – OS MILAGRES DO EVANGELHO

PRODÍGIOS À MORTE DE JESUS

54. – Ora, depois da sexta hora do dia até a nona, toda a Terra tornou-se coberta de trevas.

Ao mesmo tempo, o véu do Templo se dilacerara em dois desde em cima até em baixo; a Terra tremera, as pedras fenderam-se; – os sepulcros se abriram e vários corpos dos santos, que estavam no sono da morte, ressuscitaram; – e saindo de suas tumbas após sua ressurreição, vieram para a cidade santa, e foram vistos por várias pessoas. (São Mateus, cap. XXVII, v.45, 51 a 53)

55. – É estranho que tais prodígios, acontecendo no mesmo momento em que a atenção da cidade estava fixa no sepulcro de Jesus, que era o acontecimento do dia, não tenha sido notado já que nenhum historiador faça menção dele. Parece impossível que um tremor de terra e toda a Terra coberta pelas trevas durante três horas, em um país onde o céu está sempre de uma perfeita limpidez, tenha podido passar a despercebido.

A duração desta obscuridade está bem próxima da de um eclipse do Sol, mas estas sortes de eclipse só se reproduzem na lua nova e a morte de Jesus ocorreu durante o plenilúnio, dia 14 do mês de nissan, dia da páscoa dos judeus.

O obscurecimento do Sol pode também ser produzido pelas nódoas que se nota em sua superfície. Em caso semelhante, a claridade da luz fica sensivelmente debilitada, mas jamais ao ponto de produzir a escuridão e as trevas. Supondo-se que um fenômeno deste gênero tenha tido lugar nesta época teria sido uma causa perfeitamente natural. (6)

Quanto aos mortos ressuscitados, é possível que algumas pessoas tenham tido visões ou aparições o que não e nada excepcional; mas como então não se conhecia a causa deste fenômeno, afigurava-se que as aparições de indivíduos saíram do sepulcro.

Os discípulos de Jesus, emocionados com a morte de seu mestre, sem dúvida, ligariam quaisquer fatos particulares aqueles que não tivessem prestado nenhuma atenção em outros tempos. Seria suficiente que um fragmento de rocha se solte neste momento para que gentes predispostas às maravilhas aí vejam um prodígio e que, em amplificando o fato, tenham dito que as pedras se fenderam.

Jesus é grande por suas obras e não pelos quadros fantásticos do qual um entusiasmo pouco claro acreditou-se dever envolve-lo.


NOTA

(6) Há constantemente na superfície do Sol nódoas fixas que seguem seu movimento de rotação e têm servido para determinar-lhe a duração. Mas estas nódoas aumentam, por vezes, de número em extensão e em intensidade, e é então que se produz uma diminuição na luz e no calor. Este aumento no número das nódoas parece coincidir com certos fenômenos astronômicos e a posição relativa de certos planetas o que lhe causa o retorno periódico. A duração desse obscurecimento é muito variável; por vezes não é mais do que duas ou três horas, mas, em 535 houve um que durou quatorze meses.

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