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A Gênese é uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; na segunda, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; na terceira enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas leis divinas.

CAPÍTULO XVII – PREDIÇÕES DO EVANGELHO

ANÚNCIO DO CONSOLADOR

35. – Se vós me amais, guardai, guardai meus mandamentos; – e eu rezarei meu Pai, e Ele vos enviará um outro consolador a fim de que demore eternamente convosco: – O espírito Verdade, que este mundo não pode receber porque nunca o vê; mas por vós, vós o conheceis porque permanecerá convosco e estará em vós. – Mas o consolador que é o Espírito Santo, que meu Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e fareis recordar de tudo o que eu vos tenho dito. (São João, cap. XIV, v. 15 a 17 e 26 – Evangelho cf. o Espiritismo, cap. VI)

36. – Todavia, digo-vos a verdade: É-vos útil que eu me vá porque se eu nunca for, o Consolador não virá a vós; mas eu me vou e vo-lo enviarei, – e quando ele vier, convencerá o mundo no que toca ao pecado, no que toca à justiça e no que toca ao julgamento: – no tocante ao pecado, porque não acreditaram em mim; – tocante à justiça, porque eu me vou a meu Pai e que não me vereis mais; tocante ao julgamento, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Tenho ainda muitas coisas que dizer, mas vós não podeis portá-la presentemente.

Quando este Espírito Verdade vier, ele vos ensinará toda verdade porque não falará dele mesmo, mas dirá tudo o que ele tiver entendido, e vos anunciará a coisa por vir.

Ele me glorificará porque receberá do que é meu e ele vos anunciará. (São João, cap. XVI, v. 7 a 14)

37. – Esta predição é, sem contradita, uma das mais importantes do ponto de vista religioso porque constata da maneira a menos equívoca que Jesus não disse tudo aquilo que tinha para dizer porque não seria, mesmo, compreendido por seus apóstolos, já que é a estes que se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, eles a teriam feito menção nos Evangelhos (a). Desde então, que não tenha dito tudo a seus apóstolos, seus sucessores não puderam saber mais do eu eles; teriam, pois podido se equivocar sobre o sentido de suas palavras, dar uma falsa interpretação a seus pensamentos, frequentemente velados sob a forma parabólica. As religiões fundadas sobre o evangelho não podem, pois, se dizer em posse de toda a verdade, já que se reservou em completar ulteriormente suas instruções. Seu princípio de imutabilidade é um protesto contra as próprias palavras de Jesus.

Ele anuncia sob o nome de Consolador e de Espírito Verdade aquele que deva ensinar todas as coisas, e fazer relembrar o que ele disse; pois, seu ensinamento não estava completo; no mais, ele previa que se teria esquecido o que disse e que se o teria descaracterizado já que o Espírito Verdade devia fazer relembrar, e concorde com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, conforme o verdadeiro pensamento de Jesus.

38. – Quando este novo revelador deverá vir? É bem evidente que se, à época em que falava Jesus, os homens não estavam em estado de compreender as coisas que lhe restava dizer, não será em alguns anos que possam adquirir as luzes necessárias. Para entendimento de certas partes dos Evangelhos, à exceção dos preceitos morais, seria preciso conhecimentos que só o progresso das ciências poderia dar, e que deveriam ser a obra do temo e de várias gerações. Se, pois, o novo Messias viesse pouco tempo após Cristo teria encontrado o terreno todo também pouco propício e não teria feito mais do que ele. Ora, desde o Cristo até nossos dias não se produziu nenhuma grande revelação que tenha completado o Evangelho e que lhe tenha elucidado as partes obscuras, índice seguro de que o enviado não tinha ainda aparecido.

39. – Qual deva ser este enviado? Jesus dizendo: “Rogarei a meu pai e Ele vos enviará um outro Consolador” indica claramente que este não é ele próprio; do contrário, teria dito: “Voltarei para completar o que vos tenho ensinado”. Após, ele junta: “A fim de que ele demore eternamente convosco e ele estará em vós”. Isto aqui não  seria possível entender de uma individualidade encarnada que não possa demorar eternamente conosco e ainda menos estar em nós, mas compreende-se muito bem de uma doutrina que, de fato, logo que se a tenha assimilado, possa estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, no pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora onde o inspirador deva ser o Espírito Verdade.

40. – O Espiritismo realiza, como tem demonstrado (Cap. I, n° 30), todas as condições do Consolador prometido por Jesus. Nem é uma doutrina individual, uma concepção humana; ninguém pode se dizer-lhe o criador. É o produto do ensinamento coletivo dos Espíritos aos quais preside o Espírito Verdade. Não suprime nada do Evangelho: completa-o e elucida-o; com auxílio das novas leis que revela, junta às da ciência, faz compreender o que estava ininteligível, admite a possibilidade daquilo que a incredulidade olhava como inadmissível. Teve seus precursores e seus profetas que previram sua vinda. Por seu poder moralizador, prepara o reino do bem sobre a Terra.

A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus, mais completa, espalhou-se sobre toda a Terra pelo Cristianismo, mas não converteu todo mundo; o Espiritismo, mais completo ainda, tendo raízes em todas as crenças, converterá a humanidade. (1)

41. – Cristo, dizendo a seus apóstolos: “um outro virá mais tarde, que vos ensinará o que não pude vos dizer agora”, proclamava por isso mesmo a necessidade da reencarnação. Como estes homens poderiam aproveitar o ensinamento mais completo que deveria ser dado ulteriormente; como estariam eles mais aptos a compreendê-lo se não deviam reviver? Jesus teria dito uma inconsequência se os homens futuros devessem, conforme a doutrina vulgar, serem homens novos, almas saídas do nada em seu nascimento. Admiti, ao contrário, que os apóstolos e os homens de seu tempo tenham vivido depois; que vivam ainda atualmente a promessa de Jesus se encontre justificada; sua inteligência que deveu se desenvolver ao contato com o progresso social, pode conduzir atualmente o que não poderia portar então. Sem a reencarnação, a promessa de Jesus teria sido ilusória.

42. – Salvo se dissesse que esta promessa foi realizada no dia de Pentecoste, pela descida do Espírito Santo, responder-se-ia que o Espírito Santo inspirou-as, que pôde abrir sua inteligência, desenvolver neles as aptidões medianímicas que deveriam facilitar sua missão, mas que não lhe tenha aprendido nada de mais do que  houvesse ensinado Jesus, porque não se encontra nenhum traço de um ensino especial. O Espírito Santo não tem, pois, realizado o que Jesus anunciou sobre o Consolador: de outro modo, os apóstolos teriam elucidado, desde sua vivência, tudo o que ficou obscuro no Evangelho até este dia, e cuja interpretação contraditória deu lugar às inumeráveis seitas que dividem o Cristianismo desde o primeiro século.


NOTA

(1) Todas as doutrinas filosóficas e religiosas levam o nome da individualidade fundadora; diz-se o Mosaísmo, o Cristianismo, o Maometismo, o Budismo, o Cartesianismo, o Fuerismo, o Sansimonismo, etc. O termo Espiritismo, ao contrário, não se refere a nenhuma personalidade; encerra uma ideia geral que indica, ao mesmo tempo, o caráter e a fonte múltipla da doutrina.

 

NOTAS DO TRADUTOR

(a) Ou então os responsáveis pela elaboração do Novo Testamento suprimiram.